Para Você
É preciso levar a sério a hipertensão
Com clara evidência de que 1 grama de prevenção vale por 1 quilo de cura, o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue iniciou uma grande campanha para prevenir a pressão alta, mais do que apenas detectá-la e tratá-la. O esforço, se bem-sucedido, poderá resultar em norte-americanos mais magros, mais ativos e menos saturados de sal e de álcool, assim como menos suscetíveis a ataques cardíacos, derrames, insuficiência cardíaca congestiva, problemas circulatórios e doenças renais.
O problema é assustador. De 30 milhões a 50 milhões de adultos nos Estados Unidos têm pressão alta e a cada ano outros dois milhões engrossam essas fileiras. Isso faz da pressão alta, ou hipertensão, o fator de risco mais comum para doenças do coração, vasos sanguíneos e rins.
Por ser a pressão alta muito comum, por não apresentar sinais de alerta e parecer tão inócua durante tantos anos, muitas pessoas não se preocupam com ela como deveriam. Elas costumeiramente falham em um ou mais desses três pontos: verificar regularmente a pressão arterial, adotar hábitos de vida que possam reduzi-la e, ao ser a hipertensão diagnosticada, tomar uma medicação para mantê-la sob controle. O resultado é que acontecem dezenas de milhares de mortes evitáveis e bilhões de dólares são gastos anualmente no tratamento médico de doenças que poderiam ser prevenidas.
Mais relapsas ainda são as pessoas cuja pressão está dentro da normalidade, logo abaixo dos 140/90 que os médicos arbitrariamente estabeleceram como sendo a linha divisória de onde acaba o “nível normal” e começa a hipertensão. A pressão no limite superior da normalidade não é uma condição isenta de risco. À medida que a pressão sobe, também aumenta o risco de aparecimento de qualquer uma de suas complicações. Pessoas com a pressão no limite superior da normalidade respondem por mais de um terço das mortes evitáveis relacionadas com a pressão.
Quando os milhões de norte-americanos com pressão no limite superior da normalidade são acrescentados aos que são declaradamente hipertensos, o total chega a cerca de três - quartos dos norte-americanos de 35 anos ou mais com a vida potencialmente ameaçada pela pressão arterial.
Os médicos consideram como ideal a pressão arterial abaixo de 120/80. Os números de referem à pressão medida em milímetros de mercúrio, em que o número mais alto, ou pressão sistólica, representa a pressão arterial quando o coração bate e o número mais baixo, ou pressão diastólica, representa a pressão arterial quando o coração repousa entre os batimentos. Os dois números são importantes; se qualquer um deles sobe, o risco aumenta, e se ambos estão elevados, o risco cresce ainda mais.
Estudos cuidadosos têm provado que a redução da pressão arterial das pessoas com hipertensão ajuda a salvar vidas. Mas, de acordo com última pesquisa nacional de saúde, em 1991, somente 49% dos hipertensos estavam sendo tratados com medicamentos para baixar a pressão e somente um em cinco dos que estavam em tratamento tinha pressão abaixo de 140/90. Claramente, apesar de duas décadas de intenso esforço para detectar e tratar pessoas com hipertensão, muitas continuam a apresentar alto risco, por não controlarem a pressão alta.
Mesmo quando a pressão alta é reduzida no nível da normalidade, o risco de doença e morte prematura é mais alto do que numa pessoa que nunca teve hipertensão. Daí a atual campanha para prevenir esse mal.
Que a hipertensão pode ser prevenida na vasta maioria das pessoas é uma verdade óbvia, derivada de um fato universal: só em países industrializados a pressão arterial aumenta com a idade. Em países menos desenvolvidos, onde poucas pessoas são gordas, onde a dieta não favorece o entupimento das artéria, onde a atividade física diária é rotina, onde alimentos processados com muito sal não sobrecarregam o corpo com sódio, e onde o consumo pesado de bebidas alcoólicas não é comum, a pressão arterial não sobe à medida que as pessoas vão envelhecendo e a hipertensão não é uma epidemia nacional.
Num novo relatório sobre prevenção de hipertensão, preparado por 15 especialistas, o instituto apontou que, por menor que seja a redução na pressão arterial da população, um número significativo de vidas podem ser salvas. A redução da pressão em meros dois milímetros de mercúrio pode reduzir as mortes por derrame em 6%, por doenças cardíacas em 4% e por todas as causas em 3%. E uma queda de tão somente 1 a 3 milímetros na pressão diastólica pode reduzir de 20% a 50% a incidência de hipertensão na população, mostrou relatório.
Os especialistas relacionaram as seguintes estratégias como as possivelmente mais eficazes:
Controle seu peso. Calcula-se que de 20% a 30% da hipertensão sejam resultado direto do excesso de peso corporal. Quem está acima do peso tem de duas a seis vezes mais probabilidade de desenvolver hipertensão do que as pessoas de peso normal e a perda do excesso de peso resulta numa proporcional queda na pressão arterial.
Consuma menos sal e outras fontes de sódio. Os norte-americanos consomem muitas vezes mais sódio do que o corpo necessita e substancialmente mais do que seus ancestrais consumiam. Um estudo em 52 centros, feito com 10 mil homens e mulheres em 32 países, mostrou que nos centros onde o peso corporal era baixo, mas a ingestão de sódio era alta, a hipertensão era sete vezes mais comum do que nos centros onde tanto o peso corporal quanto a ingestão de sódio eram baixos. Reduzir o sódio na alimentação pode fazer baixar a pressão arterial nas pessoas com pressão normal, assim com nas que têm pressão alta. Isso é particularmente verdade para as pessoas negras e as idosas, que estão mais sujeitas do que outras a desenvolver a hipertensão. Além de usar menos sal no preparo das refeições e na mesa, verifique os rótulos dos alimentos embalados, para conferir quanto sódio eles contêm.
Desenvolva alguma atividade física. A hipertensão é menos comum entre pessoas que são fisicamente ativas ou que se encontram em boa forma, e essas pessoas estão menos sujeitas a terem uma elevação na pressão arterial à medida que a idade avança. Se as pessoas sedentárias passam a ter uma atividade física regular, o resultado é uma queda média da pressão de 6 a 7 milímetros, mesmo que não haja perda de peso. A atividade diária é mais eficaz do que exercícios feitos num esquema menos freqüente, e o exercício de intensidade baixa a moderada é tão eficaz quanto as atividades de mais alta intensidade.
Beba menos álcool. Embora o consumo de um a dois drinques por dia esteja associado à diminuição do risco de doença cardíaca, uma ingestão maior de álcool faz crescer o risco de várias doenças, inclusive da hipertensão. De 5% a 7% dos casos de hipertensão podem ser atribuídos ao consumo excessivo de álcool. Limitar a bebida a um máximo de dois drinques diários pode reduzir a pressão arterial, independentemente de qualquer perda de peso.
Consuma mais potássio. Uma baixa ingestão de alimentos ricos em potássio tem sido considerada uma das razões para os norte-americanos negros terem maior propensão do que os brancos a desenvolverem hipertensão, e o consumo de mais potássio na alimentação - e talvez como suplemento - pode ajudar a prevenir este problema. Alimentos ricos em potássio incluem a banana, a laranja e o melão.
JEB, maio de 1994/ O Livro de Saúde do New York Times
Vida - Guia de Saúde e Bem-estar
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